Por que todo PC com Windows vinha com Paciência
2026-09-11
Solitaire BlastKlondike com a mão do diaJogar agora
O Paciência chegou junto com o Windows 3.0 em 1990 por um motivo que nada tinha a ver com diversão: a Microsoft precisava ensinar milhões de funcionários de escritório acostumados ao teclado a usar um mouse, e arrastar um sete vermelho sobre um oito preto continua sendo a aula de arrastar e soltar mais gentil já criada. O jogo foi escrito por um estagiário que nunca recebeu um centavo de royalties. Três décadas depois ele está num hall da fama dos videogames, e o exercício de treinamento sobreviveu à maior parte dos programas para os quais treinava as pessoas.
A resposta curta: era uma aula de mouse
Em 1990 o mouse não tinha nada de óbvio. As empresas rodavam DOS, o pessoal navegava digitando comandos e o ponteiro era um periférico novo e estranho que as pessoas seguravam como se fosse uma granada. A Microsoft apostava a companhia inteira numa interface gráfica — e uma interface gráfica não serve para nada se ninguém consegue pegar uma coisa e largar em outro lugar.
O Klondike resolve esse problema de ensino quase à perfeição. Toda ação do jogo é um clique preciso ou um arrasto de um alvo pequeno até outro, o retorno é imediato, errar o arrasto não custa nada e as pessoas repetem o movimento por uma hora com prazer — porque querem, não porque um manual mandou. Quando você termina uma mesa, já executou algumas centenas de operações de arrastar e soltar bem-sucedidas sem nunca ter pensado nisso como treino.
O Klondike já era antigo
O jogo em si é muito anterior ao computador. Jogos de cartas para um jogador só aparecem em livros europeus desde o fim do século XVIII e, na era vitoriana, coleções inteiras faziam parte da sala de visitas — os britânicos chamaram a família toda de patience, o que descreve bem a experiência. O Klondike é um membro específico dessa família: sete colunas, quatro fundações montadas do ás ao rei e um monte de compra bem teimoso.
O nome quase certamente vem da corrida do ouro do Klondike, na década de 1890: a versão garimpeiro de um jogo que se joga sozinho, com poucas chances e muita escavação. As regras eram de domínio comum, não pertenciam a ninguém, e em 1990 isso pesava: a Microsoft podia distribuir o Klondike sem licenciar nada de ninguém.
1990: um estagiário, um baralho e o Windows 3.0
A versão que conquistou o mundo foi escrita por Wes Cherry, então estagiário na Microsoft. Ele a fez basicamente como projeto pessoal; ela foi adotada e distribuída com o Windows 3.0. As faces das cartas — aquelas que uma geração inteira ainda consegue descrever de cabeça, inclusive o rei que pisca — foram desenhadas por Susan Kare, a designer por trás de boa parte do conjunto original de ícones do Macintosh.
Cherry não recebeu royalties. Segundo ele próprio, também programou uma tecla do chefe que escondia o jogo na hora e teve que tirá-la antes do lançamento, o que mostra que a Microsoft sabia muito bem o que estava prestes a soltar no mundo do trabalho. Saiu assim mesmo, em todas as cópias, e a animação de vitória — as cartas descendo em cascata pela tela e quicando embaixo — virou um dos movimentos mais reconhecíveis do software de consumo.
O resto da caixa também era matéria
O Paciência não estava sozinho. O Campo Minado, que veio com o Windows 3.1, treina exatamente o que o Klondike deixa de fora: clicar com precisão em alvos pequenos e descobrir que o botão direito faz algo diferente do esquerdo. O Copas, incluído no Windows para Workgroups, mostrava de passagem que a máquina na sua mesa podia jogar cartas contra outras três no mesmo corredor — uma demo de rede que dava para vencer.
O papel mais estranho é o do FreeCell. Ele veio no complemento Win32s e depois no Windows 95, e servia também como teste de que o novo subsistema de 32 bits estava mesmo instalado e funcionando. Se o FreeCell rodava, o encanamento embaixo dele rodava. Para toda uma geração, o suporte técnico se resumia a pedir que a pessoa abrisse um jogo de cartas.
O jogo que devorou o escritório
A aula funcionou bem demais. Ao longo dos anos 1990 o Paciência virou o exemplo padrão de tempo perdido no trabalho, assunto de circulares, de software de monitoramento e de reclamações intermináveis sobre a produtividade engolida por um baralho digital. Alguns departamentos de TI apagaram o arquivo de todas as máquinas do prédio.
O caso mais famoso é de 2006, quando um funcionário da prefeitura de Nova York foi demitido depois de o prefeito Michael Bloomberg ver o Paciência na tela dele durante uma volta pelo escritório. Para a Microsoft a aposta se pagava de qualquer jeito: um programa que as pessoas escondem do chefe é um programa que as pessoas realmente querem.
Removido e trazido de volta
O Windows 8 quebrou a sequência em 2012. Os jogos de cartas embutidos saíram da instalação padrão e viraram download na loja, e a reação deixou claro que, depois de vinte e dois anos, as pessoas não viam mais o Paciência como um brinde incluso e sim como parte da máquina. Ele voltou pré-instalado no Windows 10 como Microsoft Solitaire Collection — desta vez com anúncios e uma assinatura opcional para tirá-los.
Em 2019 o Microsoft Solitaire entrou no World Video Game Hall of Fame, ao lado de títulos com orçamentos de desenvolvimento bem maiores. Nada mal para um projeto que um estagiário escreveu de graça para ensinar as pessoas a segurar um mouse.
Onde jogar Klondike hoje
A ironia da versão moderna é que o Windows não é mais necessário — uma aba do navegador dá conta, que é mais ou menos para onde essa história sempre apontou. O Solitaire Blast no crokocat é Klondike puro no feltro verde: sete colunas, quatro ases para encontrar, compra de uma ou de três cartas, desfazer ilimitado e dicas de graça, sem download e sem cadastro.
Ele também resolve a reclamação mais antiga do jogo. Cada distribuição passa por um solucionador antes de você vê-la, então sempre existe uma linha vencedora — inclusive na distribuição do dia, um layout único que muda à meia-noite e vai formando uma sequência enquanto você continuar zerando. Se preferir a loteria honesta de um baralho embaralhado, dá para desligar as distribuições vencíveis no menu. A aula de mouse hoje é opcional; o jogo continua exatamente tão teimoso quanto em 1990.
Solitaire BlastKlondike com a mão do diaJogar agoraPerguntas frequentes
Por que o Windows vinha com Paciência?
Para ensinar as pessoas a usar o mouse. O Windows 3.0 saiu em 1990 para um mundo de escritório treinado em teclado e comandos de DOS, e o Klondike é uma hora de arrastar e soltar voluntário disfarçada de jogo de cartas. Os outros jogos inclusos tinham funções parecidas: o Campo Minado treinava o clique preciso e o botão direito, e o Copas demonstrava o jogo em rede.
Quem escreveu o Paciência do Windows?
Wes Cherry, na época estagiário na Microsoft. Ele o escreveu principalmente como projeto pessoal e não recebeu royalties. A arte das cartas é de Susan Kare, mais conhecida pelos ícones originais do Macintosh.
Qual versão do Windows teve Paciência primeiro?
O Windows 3.0, de 1990. Ele ficou na instalação padrão por mais de duas décadas, saiu do Windows 8 em 2012 em favor de um download na loja e voltou pré-instalado no Windows 10 como Microsoft Solitaire Collection.
Klondike e patience são a mesma coisa?
Klondike é o jogo específico, de um baralho só, que a maioria chama simplesmente de paciência ou solitaire. Patience é o nome britânico mais antigo para toda a família de jogos de cartas para um jogador à qual o Klondike pertence: todo Klondike é uma patience, mas não o contrário.
Por que o jogo se chama Klondike?
O nome costuma ser ligado à corrida do ouro do Klondike, nos anos 1890 — uma atividade solitária, de chances pequenas e muita escavação antes de render alguma coisa, o que descreve bem o jogo de cartas. As regras em si são muito mais antigas e não pertencem a ninguém, e em parte por isso a Microsoft pôde distribuí-las livremente.
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